IA no comércio: comprar dentro do chat (conversational commerce) — o novo funil de compra
Comprar dentro do chat virou o “novo funil de compra”: o assistente guia a escolha, tira dúvidas e leva ao checkout com menos fricção. O artigo mostra por que isso está em alta, como estruturar catálogo e dados para a IA vender direito e quais práticas de UX fazem chat-commerce converter de verdade.

Se tem uma tendência que está deixando e-commerce e varejo com cara de “meu Deus, já mudou tudo”, é essa: comprar dentro do chat. Não é “falar com o suporte” no WhatsApp. É descobrir, comparar, decidir e pagar num fluxo conversacional, com checkout embutido e o mínimo de fricção possível.
Bem-vinda ao conversational commerce: o chat virando o corredor de vendas.
O que é conversational commerce (na prática)
Conversational commerce é quando um assistente (IA ou humano+IA) vira canal de compra completo: ele recomenda produtos, tira dúvidas, sugere variações, verifica estoque, aplica cupom, calcula frete e… fecha pedido.
O ponto-chave: menos cliques, menos telas, menos abandono.
Exemplo realista
Você: “Preciso de um tênis pra corrida, pisada neutra, até R$ 450, numeração 38.”
Assistente: “Beleza. Prefere mais amortecimento ou mais leve?”
Você: “Amortecimento.”
Assistente: “Aqui vão 3 opções com estoque no seu CEP. Quer ver avaliações ou já escolher cor?”
Você: “Preto, o 2º.”
Assistente: “Fechado. Frete grátis, entrega em 2 dias. Pix ou cartão?”
Isso não é “chat bonitinho”. Isso é funil comprimido.
Por que isso está em alta agora
Porque as big techs estão transformando chat em infra de consumo. A lógica é simples e meio brutal:
Chat é onde a atenção está (e fica).
Checkout é onde a fricção mora.
Quem reduzir a fricção, rouba conversão.
Ou seja: o chat está virando um motor de receita, não só um canal de relacionamento.
E aqui vai uma opinião direta: o “site” continua importante, mas o “chat” virou a rota rápida. Quem ignorar isso vai sentir no CAC e na taxa de conversão.
O novo funil de compra: do “clique-clique” ao “pergunta-resposta”
O funil tradicional:
Anúncio
Landing page
Busca no site
Página do produto
Carrinho
Checkout
Pagamento
Confirmação
O funil conversacional:
Intenção (a pergunta do usuário)
Qualificação (preferências/restrições)
Seleção guiada (recomendação + prova social)
Fechamento (pagamento + logística)
O chat vira vendedor + vitrine + consultor + caixa.
E isso muda o jogo em 3 coisas:
Descoberta: o usuário não quer “navegar”, quer resolver.
Confiança: pergunta e resposta constroem segurança mais rápido.
Conversão: menos atrito = mais fechamento.
Como preparar seu catálogo e seus dados (sem romantizar)
Se você quer vender dentro do chat, o segredo não é “ter IA”. É ter dados prontos.
1) Catálogo estruturado (de verdade)
Seu catálogo precisa ter atributos úteis para conversa, não só para vitrine:
nome do produto
descrição objetiva (sem poesia corporativa)
categorias
variações (cor, tamanho, voltagem, capacidade)
preço e promoções
estoque por SKU
prazo e custo de entrega por região/CEP
políticas (troca, garantia, devolução)
avaliações e nota média
itens complementares (“combina com”)
Se o seu produto é “Camisa X” e a descrição é “estilo e conforto para todos os momentos”… parabéns: a IA não tem como vender isso direito.
2) “Tradução” do catálogo para perguntas humanas
Clientes não falam “SKU 9281”. Eles falam:
“um notebook leve pra faculdade”
“um shampoo sem sulfato”
“um presente até 150 reais”
“uma cadeira que não destrua minhas costas”
Você precisa mapear intenção → atributos do catálogo.
3) Regras comerciais claras
A IA precisa saber:
quando aplicar cupom
quando sugerir upgrade
quando oferecer parcelamento
quando empurrar kit (sem virar chata)
quando NÃO recomendar (produto incompatível)
O pior cenário é o assistente recomendar errado. Isso mata confiança em 10 segundos.
4) Integração com estoque, preço e checkout
Se o chat não tem dados atuais, ele vira um “consultor fofo” que só aumenta frustração.
Checklist mínimo:
ERP/estoque
pricing (promoções e regras)
frete e prazo
gateway de pagamento / link de pagamento / checkout embutido
status do pedido + rastreio
UX de chat-commerce: o que funciona e o que dá ruim
Chat não é site. UX de chat tem outras leis.
O que funciona
Perguntas curtas e progressivas (uma decisão por vez)
3 opções no máximo por rodada (ninguém quer catálogo no chat)
Prova social no timing certo (avaliações quando bate insegurança)
Resumo antes do pagamento (“Você escolheu X, tamanho Y, entrega Z, total R$…”)
Escapatória humana (“falar com atendente”) quando travar
O que dá ruim (e derruba conversão)
Textão.
Perguntar tudo de uma vez (parece formulário disfarçado).
Recomendar sem explicar o “porquê” (parece chute).
Inventar disponibilidade/preço (erro fatal).
Não lembrar contexto (ex.: a pessoa já falou “até R$ 450” e você manda produto de R$ 799).
A regra de ouro
O chat precisa parecer um vendedor bom, não um menu de URA com skin moderna.
Casos de uso que geralmente dão ROI rápido
Se você quer priorizar, começa pelos fluxos que mais convertem:
Recomendação guiada
“Me ajuda a escolher…” = conversão alta quando bem feito.Reposição / recompra
Consumíveis: cosméticos, suplementos, pet, limpeza.
O chat brilha quando a compra é repetitiva.Carrinho abandonado no chat
Retomar com contexto: “Você estava vendo X. Quer finalizar com frete grátis hoje?”Pós-venda que vira nova venda
Rastreio + “quer adicionar um item que combina e chega junto?”
Métricas que importam (pra não virar projeto “legal” e inútil)
Se você colocar chat-commerce no ar, acompanhe:
Taxa de conversão do chat
Tempo até compra (time to checkout)
Taxa de abandono por etapa (onde travou?)
Ticket médio (o chat vende melhor ou só mais rápido?)
Taxa de transferência para humano (bom quando necessário, ruim quando excessivo)
CSAT/NPS do atendimento (porque chat-commerce sem confiança = zero futuro)
Como começar sem fazer um “Frankenstein” caro
Um caminho pé no chão:
Escolha 1 categoria campeã (onde há volume e dúvidas frequentes)
Organize catálogo + variações + políticas
Crie 3 fluxos: recomendação, dúvidas comuns, fechamento
Integre estoque + preço + pagamento (nem que seja via link de pagamento no início)
Treine o tom e as regras (o que pode/não pode prometer)
Meça e itere semanalmente (isso é produto, não campanha)
Chat virou o novo balcão e o novo caixa
Conversational commerce não é “modinha”. É a consequência inevitável de duas verdades:
pessoas querem comprar com menos esforço
empresas querem vender com menos fricção
O chat está virando o novo funil de compra, mais direto, mais consultivo e (quando bem feito) mais eficiente.
Se você preparar catálogo, dados e UX do jeito certo, você não só vende dentro do chat: você cria um canal de receita com cara de conversa.